Patologia Veterinária
  • Resumo GEHisPa Especial: Como a biologia molecular pode ajudar o veterinário a campo?

    Na sexta-feira, dia 30 de outubro, o GEHisPa recebeu uma apresentação especial com o tema ‘’Como a biologia molecular pode ajudar o veterinário a campo?’’, ministrada pela Dra. Ma. e M.V Caroline Pissetti. Segue abaixo um resumo do tema.

    Considerando a área de diagnóstico, a biologia molecular é o estudo genético de agentes patogênicos. Para isso, inclui técnicas como PCR convencional, PCR em tempo real, dentre outras.
    Assim como ocorre em outras técnicas de diagnóstico, a escolha do material a ser coletado e o acondicionamento deste são extremamente importantes, devendo-se conhecer o patógeno e a doença da qual se está desconfiando. Um exemplo disso seria a diferença no acondicionamento de vírus DNA e vírus com RNA, sendo este último sensível a congelamento a -20°C, sendo preferível portanto a refrigeração, enquanto que o primeiro é mais resistente à baixa temperatura. Além disso, é essencial que o veterinário tenha noção de como funcionam as técnicas moleculares para que não ocorram erros na hora de interpretar os resultados.
    O CT (cycle threshold) é um valor da PCR em tempo real que frequentemente pode causar confusão na hora da interpretação dos resultados. Este valor informa em qual ciclo a fluorescência gerada pelas reações com a amostra foi suficiente para considerá-la positiva para determinado agente patogênico. Portanto, é um indicativo da quantidade de material genético presente na amostra, sendo que valores maiores indicam menores quantidades de DNA, uma vez que foram necessários mais ciclos para o reconhecimento. Como vantagens, têm-se a possibilidade de identificar doenças endêmicas na propriedade e fazer o monitoramento da granja, além de saber se o agente que está sendo pesquisado realmente pode estar causando patologias nos animais.
    A PCR convencional por sua vez é interpretada de acordo com a observação de bandas formadas em gel de agarose, permitindo apenas dizer se a amostra foi positiva ou negativa, mas sem dar uma noção da quantidade de agente presente nela.


  • Resumo: Intoxicação por Senecio spp. em bovinos

    Na sexta-feira, dia 30 de outubro de 2020, durante o encontro do GEHisPa, as graduandas Daniela Raldi e Mariéla T. Packer apresentaram ao grupo a palestra intitulada “Intoxicação por Senecio spp. em bovinos”. Segue abaixo um resumo do tema abordado.

    O Senecio spp. está presente principalmente na região Sul do Brasil. A espécie mais conhecida por gerar intoxicação é o S. brasiliensis. É uma planta hepatotóxica, sendo o seu princípio tóxico os alcalóides do grupo das pirrolizidinas. Os alcaloides impedem a mitose nas células hepáticas, causando lesões no fígado. Além disso, ocorre alterações no SNC pelo acúmulo de amônia. A morbidade é 1-30% e a mortalidade de 100%. A toxicidade depende da época do ano e do ciclo de crescimento. A dose tóxica em bovinos é de um total 75-150g/kg da planta verde, portanto uma ingestão diária 0,6-5g/kg durante 1 a 8 meses.

    Naturalmente acomete mais os bovinos, que apresentam como principais sinais clínicos diarreia, fezes secas, tenesmo, anorexia, prolapso retal, fotossensibilização, ascite e as vezes edema de barbela ou peito. A intoxicação natural se apresenta de forma crônica e não tem tratamento, podendo levar tempo para a manifestação dos primeiros sinais, mas depois do início o animal não sobrevive por muito tempo. Nas outras apresentações de condições experimentais as lesões macroscópicas podem variar dentro dos quadros agudos (aspecto noz moscada, edema da vesícula biliar, hemorragias em diversos tecidos), subagudos (áreas avermelhadas amareladas ao corte e finos desenhos esbranquiçados em forma de rede) e crônicos (edemas, hemorragias em diversos tecidos, cirrose hepática e icterícia). Na histopatologia a principal lesão é fibrose hepática, megalocitose, degeneração e necrose, por vezes degeneração esponjosa no sistema nervoso central e lesões nos rins. Precisamos diferenciar essa intoxicação de outras plantas hepatotóxicas como Crotalaria spectabilis, Crotalaria retusa, Echium plantagineum e Tephrosia cinérea.



  • Resumo: Avaliação e classificação de queimaduras em animais selvagens

    Na sexta-feira, dia 16 de outubro de 2020, durante o encontro do GEHisPa, as graduandas Acauane Sehnem Lima e Stephanie Alves de Freitas apresentaram ao grupo a palestra intitulada “Avaliação e Classificação de Queimaduras em Animais Selvagens”. Segue abaixo um resumo do tema abordado.

    Devido ao atuais eventos em todo o país, tratar de queimadura se tornou algo de extrema importância. As queimaduras em animais silvestres recebem a mesma classificação que em domésticos. Todavia é importante lembrar que devido a grande diversidade de animais e tamanhos, e diversas composições de pele, muitas vezes essas classificações são subjetivas e pouco usadas.

    Mel ou própolis: O mel também proporciona um ambiente úmido na ferida e gera condições favoráveis para a sua cicatrização. As propriedades antimicrobianas do mel são atribuídas a alguns dos seus componentes como o peróxido de hidrogênio, bem como aos elevados níveis de açúcar que geram alta osmolaridade com o consequente efeito higroscópico e baixo pH. Os benefícios do mel na cicatrização de feridas incluem o estímulo ao crescimento tecidual, o aumento da epitelização e a minimização da formação de cicatriz que pode estar associada ao fato do mel diminuir os níveis de prostaglandina e aumentar os produtos finais oriundos do óxido nítrico

    Pomadas cicatrizantes: é o tratamento mais utilizado e mais acessível, os medicamentos disponíveis são basicamente antibióticos, anti-inflamatórios, cicatrizantes disponíveis. Geralmente associados a outros princípios ativos. O mais comum é a sulfadiazina de prata a 1%.

    Células-tronco: a células-tronco exógenas melhoram o processo cicatricial, por sua ação reconstrutora de tecidos ou pela secreção de substâncias, que dependem da fonte de células e de sua administração. A meta de aplicação das células-tronco em queimaduras visa melhorias na qualidade da cicatrização, com fechamento precoce da lesão pela aceleração do processo cicatricial e prevenção das contraturas e formações cicatriciais, preferencialmente com regeneração da pele com seus apêndices; além disso, a atenuação da resposta inflamatória sistêmica nas queimaduras extensas pode auxiliar na redução das infecções. Alguns desafios permanecem a ser definidos como: a melhor fonte tecidual doadora, método de processamento, modo da aplicação clínica e sua funcionalidade

    Pele de tilápia: a caracterização da pele de tilápia do Nilo, a partir de suas propriedades histomorfológicas, tipificaçao do colágeno e características físicas (resistência à tração)  mostrou que as características microscópicas da pele são semelhantes à estrutura morfológica da pele humana, apresentando derme composta por feixes de colágeno compactados, longos e organizados, em disposição paralela/horizontal e transversal/vertical, predominantemente, do tipo I. A pele também demonstrou elevada resistência e extensão à tração em quebra. O colágeno tipo I da pele da tilápia estimula Fatores de Crescimento de Fibroblastos (FGF), os quais expressam e liberam Fator de Crescimento de Queratinócitos (KGF), duas citocinas importantes e imprescindíveis para o fechamento das feridas.

    Lembrando que os tratamentos acima são realizados após a estabilização dos animais que muitas vezes chegaram desidratados, desequilíbrio eletrolítico, com dor, perda ou aumento da temperatura, alterações cardíacas e edema, por isso deve-se proceder com sua estabilização para então fazer o curativo. O prognóstico é sempre reservado, pois além da queimadura, sua extensão e profundidade, deve-se considerar que o animal pode ter inalado monóxido de carbono o que leva a mortes por intoxicação.

     

     


  • Resumo: Dirofilaria immitis – uma abordagem multidisciplinar

    Na sexta-feira, dia 09 de outubro, durante o encontro do GEHisPa, a médica veterinária Ana Paula Remor Sebolt apresentou ao grupo palestra intitulada “Dirofilaria immitis: uma abordagem multidisciplinar’’. Segue abaixo um resumo do tema abordado.

    A Dirofilaria immitis é um nematódeo causador da dirofilariose, popularmente conhecida como ‘’doença do verme do coração’’. Sua transmissão é dependente de vetores, uma vez que neles ocorre o desenvolvimento das larvas do parasita. Devido às características do ambiente, propícias ao desenvolvimento dos mosquitos vetores e das larvas do nematódeo, o parasita está mais presente em áreas litorâneas. Contudo, nos últimos anos foi observado um crescimento no número de casos em áreas mais distantes do litoral, devido principalmente ao aumento da temperatura, modificações ambientais, como expansão imobiliária, e migração de animais de áreas endêmicas a áreas com presença de vetores competentes.

    Com relação aos sinais clínicos, os animais geralmente são assintomáticos, com a gravidade da doença estando relacionada a carga parasitária. Quando há sinais clínicos, esses frequentemente se caracterizam por tosse, intolerância ao exercício e síncope.

    A infecção também pode ocorrer em seres humanos, sendo que estes são infectados da mesma forma que os cães. No entanto, em humanos o parasita não atinge a fase adulta, causando uma reação inflamatória no pulmão que gera um ou mais nódulos, sendo mais comum o nódulo isolado.

    A prevenção da doença ocorre principalmente ao evitar o contato dos mosquitos com animais não-humanos e humanos, por meio de repelentes e telas nas janelas, além de evitar a saída dos cães para ambientes externos em época de grande atividade dos vetores. Já o tratamento é feito com uso de lactonas macrocíclicas ou por meio de cirurgia para retirada dos parasitas. Além disso, também pode ser utilizado doxiciclina para combater a (bactéria essencial para a sobrevivência da Dirofilaria), fragilizando assim as formas do nematódeo.

     

     


  • Resumo: Intoxicação por samambaia em bovinos

    Distribuída do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, Pteridium aquilinum var. arachnoideum, popularmente conhecida como ”Samambaia”, é uma planta com capacidade de causar intoxicação em diversas espécies domésticas. Em monogástricos, tende a causar quadros neurológicos. Ruminantes por sua vez tendem a apresentar quadros radiomiméticos, que variam de acordo com a quantidade e período de consumo da planta. Nestes a forma aguda se apresente como diátese hemorrágica, enquanto que as formas crônicas são hematúria enzoótica e a formação de carcinomas de células escamosas no trato digestório.

    Seu diagnóstico é feito por meio das informações coletadas do histórico do animal e da região onde ele está inserido, sinais clínicos observados, presença da planta no local frequentado pelos animais e lesões encontradas no exame necroscópico. Não há tratamento para casos de intoxicação por samambaia, apenas medidas para evitar o aparecimento de novos casos. Dentre estas medidas, estão: retirar animais de áreas infestadas; realizar aração e calagem do solo; evitar prática de queima da pastagem; manter animais bem alimentados; praticar manejo rotacionado.

    No período de 2013 a 2020 o Laboratório de Patologia Veterinária da UFSC realizou 20 necropsias de animais intoxicados por plantas, dos quais 5 casos eram de intoxicação por samambaia. Além disso, foram recebidas amostras para histopatológico de 8 casos de CCE em bovinos, dos quais 3 foram causados por samambaia. De todos os casos de intoxicação por P. aquilinum, 6 casos eram de fêmeas, 1 de macho e 1 histopatológico no qual não foi informado o sexo do animal. Todos estes animais possuiam mais de 5 anos de idade e apresentavam formação de carcinomas de células escamosas no trato digestório. Com relação a localização exata dos tumores, 2 animais apresentaram CCE na base da língua, 1 na língua, 5 no esôfago, 1 no rúmen e 1 no cárdia, sendo que em 5 casos o carcinoma se apresentou bem diferenciado, em 1 caso moderamente diferenciado e em 2 casos indiferenciado. No que se refere a região de ocorrência, 4 casos ocorreram em Curitibanos, 2 em Ponte Alta do Norte, 1 em Francisco Beltrão e 1 em São Cristóvão do Sul. Já com relação a estação, 2 casos foram relatados na primavera, 2 no outono, 1 no inverno, 1 no verão e em 1 caso de histopatológico não foi informado ao laboratório a data da necropsia.


  • Principais intoxicações por plantas recebidas no LABOPAVE desde 2013

    As intoxicações por plantas tóxicas ainda são um problema presente no meio veterinário, principalmente na criação de grandes animais. Essa postagem vem trazer algumas características das plantas que já causaram mortes em animais recebidos no LABOPAVE.

    FONTE: TOKARNIA, Carlos Hubinger et alPlantas tóxicas do Brasil para animais de produção. 2. ed. Rio de Janeiro: Helianthus, 2012. 568 p.

    Todas as imagens de necropsia foram retiradas do acervo do LABOPAVE.

    Todas as partes são tóxicas, tanto verdes quanto dessecadas, sendo que foi observado que teores de alcaloides mais altos são encontrados antes da floração da planta. É encontrada em toda a região Sul do Brasil e em algumas áreas altas e frias da região Sudeste. Os valores das doses tóxicas são baseados na planta verde fresca.

     

    Na foto fígado de um bovino, fêmea, Angus com 8 anos, padrão lobular evidente, consistência aumentada, palidez por todo parênquima e área focalmente extensa de fibrose que se estende ao parênquima.

     

    Todas as partes da samambaia são tóxicas, sendo que o rizoma é mais tóxico. Dose tóxica para a: Forma aguda – bovinos 10 a 30g/kg. Hematúria enzoótica – bovinos menos de 10 g/kg/dia.  CCE (carcinoma de células escamosas)– bovinos maiores de 5 anos com ingestão crônica de doses relativamente pequenas. Evolução é de meses a anos.

     

    Na foto esôfago de um bovino, fêmea, Red Angus, 5 anos, apresentando espessamento da parede na região mais cranial. Ao corte, presença de massa com 2 cm de espessura. Na microscopia foi confirmado CCE bem diferenciado.

     

    Não se tem conhecimento da dose tóxica, mas sabe-se que é depende da quantidade de saponinas e esse fator varia conforme o clima.

     

    Nas imagens podemos observar o fígado com lesão arredondadas bem delimitadas multifocais com coloração vermelho escuro, mediando em torno de 5 cm. E no tegumento áreas apresentando lesões ulcerativas, necróticas e verrugosas de formato e tamanho irregular, variando de 2cm a 12cm, disseminada com aspecto de couve-flor, localizadas no dorso, membros e glândula mamária. Bovino, fêmea , Red Angus, 2 anos.

     

    O tremoço (Lupinus sp.) é usado quase que exclusivamente como adubo verde, pois se adapta em regiões de clima mais frio como Santa Catarina e Paraná.

     

    Nas fotos observamos um bovino, fêmea holandesa com 2 dias, com fenda palatina e lábio leborino, artrogripose acentuada e escoliose cervical, lombar e sacral.


  • Colorações especiais: Tricrômico de Masson

     Tricrômico Masson

    O Tricrômico de Masson (TM) é uma coloração especial usada principalmente para caracterizar e discriminar diferentes tecidos conjuntivos e componentes de tecidos moles. Músculo liso e queratina são corados em rosa a vermelho, colágeno em azul ou verde, e fibras elásticas em preto. Quando o colágeno é corado em verde a coloração é chamada de Tricrômico de Masson modificado por Goldner. O ácido fosfotúngstico ou fosfomolibdico é usado junto com os corantes aniônicos para criar uma solução de coloração equilibrada. A coloração consiste em coloração sequencial com hematoxilina de ferro, que cora os núcleos de preto; Escarlate de Biebrich que cora de vermelho o citoplasma e azul de anilina ou verde claro de anilina que cora o colágeno de azul ou verde, respectivamente.Essa coloração é empregada para diferenciar leiomiomas e tumores neurais. Fibrose perivascular, formação de cicatriz e lesões escleróticas também são melhor apreciadas com o uso do tricrômico de Masson. 

    English

    Masson’s trichrome is a special stain which is typically used to characterize and discriminate between various connective and soft tissue components. Smooth muscle and keratin stain pink-red, collagen stains blue-green, and elastic fibers appear black. When the collagen turns green the stain it’s called Masson’s Trichrome modified by Goldner. Either phosphotungstic or phosphomolybdic acid is used along with anionic dyes to create a balanced staining solution. The stain consists of sequential staining with iron hematoxylin which stains nuclei black; Biebrich scarlet which stain cytoplasm red and aniline blue or aniline light green which stain collagen blue or green respectively. Masson’s trichrome stain is frequently employed when the histopathologic differential includes leiomyomatous and neural tumors. Perivascular fibrosis, scar formation, and sclerotic lesions are also better appreciated with the use of Masson’s trichrome. 

     

     

     

    Esquema representando as cores que marcam os diferentes tecidos na coloração de Tricrômico de Masson.

     

    Foto 1: Pele, hemangiossarcoma, formação de novos vasos de diversos tamanhos, hamster chinês, macho, 1 ano e 6 meses, 40X, HE.

     

    Foto 2: Pele, hemangiossarcoma, formação de novos vasos de diversos tamanhos formados por células pavimentosas (endotélio) de elevado pleomorfismo, com núcleo fusiforme e citoplasma levemente eosinofílico. Há ninhos de células isoladas formando regiões sólidas apresentando núcleo variando de forma ovalada a estrelada e citoplasma indistinto, hamster chinês, macho, 1 ano e 6 meses, 400x, HE.

     

    Foto 3: Pele., hemangiossarcoma, formação de novos vasos de diversos tamanhos formados por células pavimentosas (endotélio) de elevado pleomorfismo, com núcleo fusiforme e citoplasma levemente eosinofílico. Há ninhos de células isoladas formando regiões sólidas apresentando núcleo variando de forma ovalada a estrelada e citoplasma indistinto, hamster chinês, macho, 1 ano e 6 meses, 400x, HE.

     

    Foto 4: Pele, hemangiossarcoma, formação de novos vasos de diversos tamanhos, hamster chinês, macho, 1 ano e 6 meses, 40X, Tricrômico de Masson.

     

    Foto 5: Pele, hemangiossarcoma, observar as áreas sólidas de coloração azulada que representam o colágeno, hamster chinês, macho, 1 ano e 6 meses, 400x, Tricrômico de Masson.

     

    Foto 7: Protocolo da coloração Tricrômico de Masson utilizada no LABOPAVE.

     

    The name of the stain “Trichrome” suggests a stain made with 3 dyes and that gives rise to 3 colors for different tissues


  • Colorações especiais: Azul de Toluidina

    Azul de toluidina

    O azul de toluidina é um corante catiônico metacromático do grupo de tiazinas que marca seletivamente grupos ácidos de componentes teciduais (radicais carboxílicos, sulfatos e fosfatos), apresentando afinidade pelo DNA dos núcleos celulares e pelo RNA presente no citoplasma, os quais fixam o corante e coram-se profundamente. No laboratório de patologia veterinária essa coloração é utilizada prevalentemente para diferenciação de tumores de células redondas dentre eles o mastocitoma. O azul de toluidina é responsável por corar os grânulos metacromáticos dos mastócitos neoplásicos em azul.

    English: Toluidine blue

    Toluidine blue is a metachromatic cationic dye of the thiazine group that selectively marks acid groups of tissue components (carboxylic radicals, sulfates and phosphates), showing affinity for cell nucleus DNA and cytoplasmic RNA, which fix the dye and blush deeply. In the veterinary pathology laboratory this staining is used predominantly for differentiation of round cell tumors among them the mast cell. Toluidine blue is responsible for staining the eosinophilic metachromatic granules of neoplastic mast cells in blue.

     

    CALANDRO, Terezinha Lisieux Lopes et al. Utilização do teste com o azul de toluidina como método auxiliar no diagnóstico de lesões orais. Revista Brasileira de Odontologia, Rio de Janeiro, v. 68, n. 2, p.196-199, jul. 2011.

     

    Foto 1: Pele, mastocitoma de baixo grau, canino, fêmea, Shih-tzu, 10 anos e 11 meses, HE, 10x.

     

     

    Foto 2: Pele, mastocitoma de baixo grau, canino, fêmea, Shih-tzu, 10 anos e 11 meses, HE, 40x.

     

     

    Foto 3: Pele, mastocitoma de baixo grau, canino, fêmea, Shih-tzu, 10 anos e 11 meses, HE, 40x.

     

     

    Foto 4: Pele, mastocitoma de baixo grau, canino, fêmea, Shih-tzu, 10 anos e 11 meses, Azul de Toluidina, 10x.

     

     

    Foto 5: Pele, mastocitoma de baixo grau, observar os grânulos intracitoplasmáticos dos mastócitos corados de azul e infiltrado de eosinófilos e neutrófilos, canino, fêmea, Shih-tzu, 10 anos e 11 meses, Azul de Toluidina, 40x.

     

     

    Foto 6: Pele, mastocitoma de baixo grau, observar os grânulos intracitoplasmáticos dos mastócitos corados de azul e infiltrado de eosinófilos e neutrófilos, canino, fêmea, Shih-tzu, 10 anos e 11 meses, Azul de Toluidina, 40x.

     

     

    Foto 7: Protocolo da coloração de Azul de toluidina utilizado no LABOPAVE.

     


  • Colorações especiais: Warthin Starry

    Warthin-Starry 

    O Warthin-Starry (WS) é uma coloração de prata utilizada para identificação de espiroquetas. Dentre as espécies identificadas são exemplos Leptospira spp., Alipia feles, Bartonella henselae, Borrelia burgdorferi, H. pylori, Legionella pneumophila, Treponema allidum. Os microrganismos são corados em preto.  A coloração Warthin-Starry tem a desvantagem da coloração inespecífica das fibras elásticas do tecido, dificultando a interpretação das seções da pele. Uma interpretação complicada adicional é a coloração positiva dos melanócitos.

    English

    Warthin-Starry (WS) is a silver color used for identification of spirochetes. Among the species identified are Leptospira spp., Alipia feles, Bartonella henselae, Borrelia burgdorferi, H. pylori, Legionella pneumophila, Treponema pallidum. The microorganisms are stained black. Warthin-Starry staining has the disadvantage of nonspecific staining of elastic tissue fibers, making interpretation in the sections of the skin difficult. An additional complicated interpretation is the positive staining of melanocytes. 

    FONTE: KUMAR, G.L. & KIERNAN, J.A. Education Guide: Special Stains and H&E. Ed 2. Carpinteria, 2010.

    Estômago, congestão difusa moderada associada à espiroquetas, canino, macho, Yorkshire terrier, 3 anos e 9 meses, 10x, HE.

     

    Estômago, congestão difusa moderada associada à espiroquetas, canino, macho, Yorkshire terrier, 3 anos e 9 meses, 40x, HE.

     

    Estômago, congestão difusa moderada associada à espiroquetas (seta branca), canino, macho, Yorkshire terrier, 3 anos e 9 meses, 100x, WS.

     

    Estômago, congestão difusa moderada associada à espiroquetas (setas brancas), canino, macho, Yorkshire terrier, 3 anos e 9 meses, 100x, WS.

     

    Estômago, congestão difusa moderada associada à espiroquetas (setas azuis), canino, macho, Yorkshire terrier, 3 anos e 9 meses, 100x, WS.

     

    Protocolo coloração de Warthin Starry LABOPAVE

     


  • Retículo pericardite traumática

    Os bovinos são pouco seletivos, portanto estão mais suscetíveis a deglutir corpos estranhos, as vacas leiteiras adultas são mais acometidas devido a mais frequente exposição a esses objetos, também pode-se levar em consideração a idade desses animais que comparado a gado de corte permanecem por mais tempo na propriedade. Os corpos estranhos deglutidos alojam-se normalmente no reticulo, isso ocorre devido a presença das pregas de seu revestimento mucoso. Esses corpos estranhos podem perfurar o reticulo e o diafragma chegando na cavidade torácica e podendo perfurar o saco pericárdio, assim causando a reticulo pericardite traumática.

    English: Cattle are poorly selective, so they are more susceptible to swallowing foreign bodies, adult dairy cows are more affected due to more frequent exposure to these objects, it can also be taken into account the age of these animals compared to beef cattle which stand more time on property. Swallowed foreign bodies normally lodge in the reticulum, this is due to the presence of the folds of its mucous lining. These foreign bodies may pierce the reticulum and the diaphragm reaching the thoracic cavity and may perforate the pericardial sac, causing traumatic pericarditis reticulum.

    Imagem 1: bovino, cavidade torácica, distensão do saco pericárdio, que está preenchido por liquido e inflamação.

     

    Imagem 2: bovino, saco pericárdio, material fibrinoso que preenche o saco pericárdico e recobre o coração.

     

    Imagem 3: bovino, coração, no ventrículo, se observa um objeto pontiagudo que atravessa a parede do mesmo.

     

    Imagem 4: bovino, coração, presença de área de necrose do miocárdio, na área de inserção do objeto pontiagudo (arame).

     

    Imagem 5: bovino, reticulo, fragmento com a presença do objeto pontiagudo (arame).

     

    Imagem 6: bovino, pulmão presença de abscesso na porção cranial do lobo caudal direito, ao porte mostrando material purulento.

     

    Vídeo 1: bovino, abertura do saco pericárdico, onde há grande quantidade de liquido e material fibrinoso.

    Vídeo 2: bovino coração, retirada do objeto pontiagudo que estava inserido no miocárdio.