Resumo: Raquitismo em Suínos e Bovinos

10/04/2021 18:19

Nesta última sexta-feira, dia 09 de abril, o GeHisPa recebeu o médico veterinário Anderson Gris para apresentar sobre Raquitismo em Suínos e Bovinos. Segue abaixo um resumo do que foi abordado.

O raquitismo é uma doença osteo-metabólica assim como a osteoporose, osteodistrofia fibrosa e a osteomalácia. Ela acomete animais jovens afetando a placa de crescimento dos ossos e causando uma falha na mineralização óssea. As principais causas de raquitismo em suínos e bovinos relatadas são a deficiência de vitamina D e de fósforo. Mesmo que em quantidades suficientes na dieta, o raquitismo pode se desenvolver na presença de problemas no trato gastrointestinal que levam a má absorção e/ou criações onde há pouco acesso a luz solar essencial para a conversão da vitamina D na sua forma ativa.
Sugere-se que a principal causa de raquitismo nos bovinos, além do pouco acesso a luz, também a falta de suplementação de P e Ca. Enquanto que nos suínos a principal causa é a suplementação inadequada de Ca e P.
Nos bovinos se observa uma fragilidade óssea extrema ao manusear os ossos que leva a presença de fraturas, principalmente de ossos longos. Em ambas as espécies pode se observar o rosário raquítico e o crescimento exacerbado e irregular da placa de crescimento epifisária.
Microscopicamente observa-se o espessamento de zonas da placa de crescimento que não exigem a mineralização, visto que a mesma esta prejudicada.

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Resumo: Técnica de necropsia em peixes

31/03/2021 13:30

Nesta sexta-feira, 26/03, o tema do GeHisPa foi sobre técnica de necropsia em peixes, apresentado pelas graduandas Ana Karolina Panneitz e Stephanie Alves de Freitas. Segue abaixo um resumo do tema abordado.

A piscicultura é um ramo da produção que vem recebendo destaque nos últimos anos, tendo um crescimento de 38,7% nos últimos 6 anos. Além disso, a saúde dos peixes reflete a saúde do ambiente, fator importante quando se fala em preservação de espécies. Em ambos os cenários a realização do exame necroscópico é fundamental para o diagnóstico de enfermidades.
A análise da água onde os peixes habitam é essencial para a identificação de suas patologias, uma vez que esta influencia na sua saúde, sendo importante avaliar seus princípios químicos e físicos. Os princípios físicos da água a serem avaliados são temperatura, cor e turbidez. Com relação aos químicos, avalia-se o pH, alcalinidade, dureza, oxigênio dissolvido e amônia.
Para coletas de órgãos, deve-se dar preferência para que esta seja feita antes do animal ser eutanasiado, devido às alterações post mortem, com este sob anestesia. A biópsia de pele, por exemplo, é realizada por meio de raspagem no sentido crânio-caudal utilizando lâmina de bisturi (parte não cortante) ou lâmina de microscópio. É importante que seja colocada água salgada em lâminas de peixes de água salgada e água desclorada em lâminas com amostras de pele de peixes de água doce para evitar destruição tecidual do local coletado.
Com relação aos exames complementares, para amostras microbiológicas, os órgãos mais frequentemente coletados são cérebro, rim e fígado. Em casos de suspeita de infecções por Flavobacterium columnare, deve ser informado ao laboratório, uma vez que esta não cresce nos Ágares comumente utilizados no processamento de materiais. Para a virologia, não são coletadas muitas amostras uma vez que não há muitas culturas celulares aptas a receber vírus de peixe, dificultando o diagnóstico. Já as amostras para parasitologia dependem do tamanho da espécie. Recomenda-se que peixes pequenos sejam colocados em potes com formol na proporção de 1 ml de formol para 4000 ml de água por cerca de 2 horas. Após este período, o pote deve ser preenchido com solução de formol a 40% até que a solução fique a 5%. Após 12 horas, se procede a coleta dos parasitas. Os olhos também devem ser coletados, uma vez que também podem conter parasitas. Para a coleta de sangue, as principais formas são por meio da veia caudal e por punção intracardíaca, dependendo da conformação da espécie. Para armazenamento deste sangue, este pode ser armazenado no microtubo, não sendo necessário tubo de EDTA, devido a quantidade de sangue que é coletado normalmente podendo tornar a amostra muito diluída e com isso comprometendo o resultado do exame.

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Resumo: Tromboembolismo da veia cava caudal em bovinos

23/03/2021 13:06

Nesta sexta-feira, 19/03, o tema do GeHisPa foi sobre Tromboembolismo da veia cava caudal (TVCC), apresentado pela médica veterinária Fernanda Perosa. Segue abaixo um resumo do tema abordado.
O tromboembolismo da veia cava caudal (TVCC) em bovinos é a condição onde há formação de abscessos no sistema arterial pulmonar. A principal causa é a acidose ruminal. Não existe predisposição quanto a idade, sexo ou raça, mas sabe-se que vacas lactantes e bovinos adultos em confinamento, por serem alimentados com dietas altamente fermentáveis ou sujeito a alimentação da dieta sem adaptação, são altamente predispostos a desenvolver acidose ruminal e consequentemente TVCC. A acidose ruminal é subclínica na maior parte dos casos.
O excesso de carboidratos altamente fermentáveis na dieta vai ser degradado pela microbiota ruminal aumentando a produção de ácidos graxos voláteis e permitindo o crescimento de bactérias como Streptococcus bovis e Lactobacillus sp. Essas bactérias produzem ácido lático levando a diminuição do pH ruminal (pH < 5,8) que favorece o crescimento de bactéria como o Fusobacterium necrophorum e Trueperella pyogenes. Além de favorecer o crescimento dessas bactérias, a diminuição do pH causa lesões em mucosa ruminal que expõe os vasos, permitindo que essas bactérias alcancem a circulação sanguínea.
As bactérias chegam ao fígado via sistema porta-hepático onde formam abscessos. Quando um desses abscessos se forma próximo a veia cava caudal, ocorrem trombos sépticos. Esses trombos são estruturas altamente friáveis que formam pedaços conhecidos como êmbolos. E são essas estruturas que chegam até as estruturais arteriais do pulmão e rompem as mesmas, levando a quadros de hemorragia (hemoptise) e a formação de abscessos pulmonares.

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Resumo: Características clínico-epidemiológicas, histomorfológicas e histoquímicas da esporotricose felina

09/03/2021 21:09

Nesta sexta-feira, 05/03, o tema do GeHisPa foi sobre Características clínico-epidemiológicas, histomorfológicas e histoquímicas da esporotricose felina, apresentado pela graduanda Isabelle Cordeiro. Segue abaixo um resumo do tema abordado.

A Esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix, sendo que a espécie S. schenckii é considerada a principal espécie associada a doença, estando amplamente distribuída na natureza, enquanto que a S. brasiliensis é a mais virulenta, tendo ocorrência restrita ao sul e sudeste do Brasil. Considerada um risco ocupacional, a doença acomete seres humanos e animais domésticos e é considerada endêmica no Rio de Janeiro. A principal forma de infecção é a inoculação do fungo por perfuração, podendo ocorrer transmissão zoonótica, por meio de mordidas ou arranhões de ratos, tatus, gatos e cães, sendo que os gatos são os principais transmissores uma vez que carreiam o agente nas unhas e cavidade oral. No trabalho utilizado como base para esta apresentação da doença, Bazzi et al (2016) observaram um maior número de casos em gatos sem raça definida e em machos, o que pode ser explicado pelo comportamento natural destes. Além disso, observaram um maior acometimento de cabeça, membros e cauda, sendo estas regiões mais afetadas durante brigas.
O diagnóstico é dado com a correlação dos dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais, sendo feito com isolamento e identificação do agente em cultura. Pode ser feita citologia do exsudato das lesões, exame histopatológico e técnica de imuno-histoquímica.

Referência: BAZZI, Talissa et al. Características clínico-epidemiológicas, histomorfológicas e histoquímicas da esporotricose felina. Pesq. Vet. Bras., Rio de Janeiro , v. 36, n. 4, p. 303-311, Apr. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-736X2016000400303 . Acesso em: 19 fev. 2021.

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Resumo: Colibacilose em aves domésticas

02/03/2021 14:27

Nesta sexta-feira, 26/02, o tema do GEHISPA foi sobre Colibacilose em aves domésticas, apresentado pela graduanda Maria Cecília Munaretto Torteli. Segue abaixo um resumo do tema abordado.

A colibacilose é o termo empregado para nomear as infecções localizadas ou sistêmicas consequência da bactéria Escherichia coli patogênica extra-intestinal, ExPEC. A maioria das E. coli patogênicas para as aves (APEC) são ExPEC. 

Essa doença é de extrema importância econômica sendo uma das doenças infecciosas mais comuns na avicultura, responsável por perdas econômicas (principal causa de condenação nos abatedouros e causa mais frequente de mortalidade em lotes orgânicos). As perdas se tornam ainda maiores em casos de co-infecções. 

Dentro da saúde pública as aves são consideradas reservatórios de ExPEC (APEC) que causam infecção urinária e meningite neonatal em humanos.

Os principais fatores de virulência dessa bactéria são as adesinas, protectinas que permitem resistir ao sistema complemento do hospedeiro, sobrevivência no interior de macrófagos, produção de caspases que estão envolvidas na iniciação e execução da apoptose garantindo um efeito citotóxico a célula, invasinas, produção de biofilme e presença de plasmídeo de virulência. 

A transmissão pode ocorrer de forma vertical (via oviduto e casca de ovo) e horizontal (cama contaminada, poeira, alimentos, água, fezes de roedores, moscas e principalmente cascudinho). Quando horizontal é consequência do comprometimento de alguma barreira da pele ou mucosa. Os fatores predisponentes são classificados como infecciosos e não infecciosos, sendo os infecciosos quando há uma lesão em pele ou mucosa, imunossupressão ou co-infecções, e os não infecciosos estão relacionados a frio ou calor excessivos, excesso de amônia, desinfecção e ventilação deficiente, deficiências nutricionais e umidade da cama.

Os sinais clínicos, patogenia e achados anatomohistopatológicos assim como mais informações podem ser visualizados através do link a seguir https://www.instagram.com/p/CL622yrnUh_/?igshid=1klghxgx81iv2

SWAYNE, David E. et al (ed). Diseases of poultry. 13. ed. Hoboken: John Wiley & Sons, 2013.

Resumo: Covid-19 e a vacinação

24/02/2021 17:24

Nesta sexta-feira, 19/02, o tema do GEHisPa foi sobre a Covid-19 e a Vacinação, tema muito importante e atual, apresentado pelo médico veterinário Guilherme Carvalho Serena. Segue abaixo um resumo do tema abordado.

A Covid-19, causada pelo vírus Sars-Cov-2 vem fazendo parte de nossas vidas há cerca de 1 ano. Globalmente, a doença totaliza 105.015.991 casos, e cerca de 2.287.372 mortos (dados de 11/02/2021). Sua letalidade desde o início da pandemia reduziu de 6.8% para 2.17%. No ranking mundial de casos o Brasil é o 3° com mais casos, atrás somente de EUA (1°) e Índia (2°), e no ranking de mortos pela Covid-19, o Brasil se encontra em 2°, atrás somente dos EUA. Com a grande crise causada na saúde pública, houve grandes investimentos em pesquisas para entender este patógeno e como combatê-lo. O coronavírus já estava presente no reino animal sob diferentes variantes. Atualmente sabe-se que o Sars-Cov-2 pode infectar felídeos, mas estes não tem a capacidade de o transmitir. Além desse grupo de animais, gorilas, ferrets e minks também podem ser infectados, sendo este último capaz de transmitir o vírus para humanos.
Com relação as características do vírus, este possui diversas proteínas, no entanto quando falamos no desenvolvimento de vacinas a mais importante é a Spike, a qual é responsável por se ligar e invadir as células humanas. Recentemente foram descobertas novas variantes, sendo estas do Reino Unido, África do Sul e de Manaus. Estas variantes decorrem da formação de linhagens do vírus com mutações definidas e herdadas. Quando as mutações causam diferenças de patogenia e epidemiologia, estas podem ser consideradas cepas. Contudo, ainda não se sabe efetivamente se as variantes do vírus da Covid-19 possuem maior morbidade e, devido a isso, estas são chamadas de VOCs (variants of concern), ou seja, variantes de importância. Elas tem o potencial de prejudicar a eficiência das vacinas atualmente desenvolvidas, sendo ainda necessário mais estudos.
As vacinas desenvolvidas até agora estão demonstradas nas artes. Ressalta-se que há diversos estudos acerca do desenvolvimento destas disponíveis na internet e aqui procuramos trazer algumas das informações mais relevantes de cada vacina.

Para ter acesso a mais informações e fotos acerca do assunto, acesse nossa apresentação no instagram https://www.instagram.com/p/CLrsSXKnV-2/?igshid=1i67iimnhhy8f

Resumo: Enteropatia Proliferativa em Equinos

16/02/2021 21:30

Na sexta-feira, dia 12 de fevereiro, a graduanda Jennyfer Júlia de Sá apresentou ao GeHisPa um pouco sobre a Enteropatia proliferativa em equinos (EPE). Segue abaixo um resumo do tema abordado.

A Enteropatia proliferativa é uma doença entérica transmissível que afeta diversas espécies, tendo como espécie mais afetada os suínos e sendo considerada uma enfermidade emergente em equinos. Causada pela bactéria Lawsonia intracellularis, a doença acomete potros de 3 a 9 meses, especialmente durante o período pós-desmame, devido ao estresse causado com consequente queda na capacidade de resposta imunológica destes animais. Além disso, devido a características do patógeno, observa-se uma prevalência estacional, com uma maior frequência de casos no outono e início do inverno.
Com relação ao diagnóstico, este é baseado nos sinais clínicos e histórico do animal, além de exames hematológicos, bioquímicos e, em casos post mortem, principalmente imunohistoquímicos e histopatológicos, podendo-se observar lesões intestinais e presença da bactéria na coloração de prata, como Warthin-Starry. Nos exames laboratoriais, o principal achado é a hipoproteinemia, possivelmente causada por má absorção e perda de proteínas no intestino. Segundo Guedes e Oliveira (2018), observou-se uma alta sensibilidade em testes sorológicos, como imunofluorescência indireta e IPMA. Além disso, o diagnóstico pode ser realizado por PCR em amostras fecais dos animais.
Para o tratamento, é importante que este seja iniciado precocemente com antimicrobiano adequado e terapia suporte para respostas positivas.

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Resumo: Roteiro de biometria para necropsias em primatas não humanos no controle da Febre Amarela

12/12/2020 13:03

Nesta sexta-feira, 11/12, o tema do GEHisPa foi Roteiro de biometria para necropsias em primatas não-humanos no controle da Febre Amarela apresentados pela acadêmica Acauane Sehnem Lima e pelo professor e doutor Adriano Tony Ramos. Segue abaixo um resumo do tema abordado.

A febre amarela (FA) é uma doença infecciosa febril aguda, não contagiosa, causada por um arbovírus do gênero Flavivirus, família Flaviviridae, envelopado, RNA fita simples. A doença mantém-se endêmica e enzoótica em diversas regiões tropicais das Américas e da África e, de modo esporádico, são registrados surtos e epidemias de magnitude variável (Brasil, 2009)
As proteínas estruturais codificam a formação da estrutura básica da partícula viral; a proteína prM codifica o precursor da proteína da membrana (M), já a proteína E dá origem ao envelope, enquanto a proteína C codifica a formação do capsídeo viral. São a essas proteínas que o organismo humano responde durante uma infecção com a produção dos anticorpos inibidores da hemaglutinação (IH) contra as glicoproteínas do envelope e neutralizantes (N) contra a proteína C do capsídeo. Por outro lado, as proteínas não estruturais são responsáveis pelas atividades reguladoras e de expressão do vírus incluindo replicação, virulência e patogenicidade

Atualmente, nas Américas, são conhecidos dois ciclos de transmissão do vírus da FA: um urbano, do tipo homem-mosquito-homem, no qual o Aedes aegypti é o principal vetor; e outro silvestre, complexo, no qual diferentes espécies de mosquitos (e.g., Haemagogus spp. e Sabethes spp.) atuam como vetores e primatas não humanos (PNH) participam como hospedeiros, amplificando o vírus durante a fase virêmica.

Os animais afetados apresentam como sinais clínicos febre, apatia, icterícia, êmese, desidratação, hemorragia bucal e intestinal e insuficiência hepática e renal

A biometria faz parte da Ficha de Identificação de Primatas. Ela consiste na retirada de medidas específicas de cada animal em diferentes regiões. Para isso, será necessária uma fita métrica

DICA: Caso o cadáver já esteja em rigor mortis ou você não tenha em mão uma fita métrica, a dica é usar um barbante para definir uma medida e depois medir o barbante sobre a régua.

Resumo: Neoplasias Testiculares de Cães

07/12/2020 23:25

Na sexta-feira, dia 4 de dezembro, a acadêmica Tainá Rodrigues fez uma apresentação ao GeHisPa sobre ‘’Neoplasias testiculares de cães’’. Segue abaixo um resumo sobre o tema abordado.

As neoplasias testiculares são o segundo tipo de neoplasias mais comuns em cães machos, logo após os tumores de pele, sendo que ocorrem principalmente em animais idosos, com cerca de 9 a 11 anos de idade. Cães criptorquidas são ainda mais suscetíveis, com as chances de desenvolvimento da neoplasia testicular aumentando de 10 a 26 vezes, a qual nestes casos geralmente é maligna. Nos casos em que o tumor se desenvolve em testículos na bolsa escrotal há maior chance dos tumores serem benignos.
As neoplasias primárias são classificadas de acordo com as células afetadas, sendo o seminoma o tumor das células germinativas, sertolioma das células de sertoli e leydigocitoma das células de Leydig. Na microscopia, os seminomas podem apresentar forma intralobular e/ou difusa. A forma intralobular se caracteriza por preenchimento dos túbulos seminíferos atróficos por células neoplásicas arredondadas, sendo focal ou multifocal. A forma difusa é caracterizada por difusão das células neoplásicas dentro dos túbulos em direção ao interstício, apresentando forma de ‘’folhas largas’’ e aspecto de ‘’céu estrelado’’ dentro da neoplasia. O sertolioma também pode apresentar tanto a forma difusa quanto a intralobular, com a forma difusa apresentando mais características malignas, como figuras anormais de mitose e agregados focais ou perivasculares de linfócitos maduros. O tumor das células de Leydig por sua vez pode apresentar 3 padrões, sendo estes o cístico-vascular, o pseudoadenomatoso e o padrão sólido-difuso. O cístico-vascular apresenta espaços vasculares de grandes dimensões, delimitados por células endoteliais igualmente presentes neste padrão. O pseudoadenomatoso é caracterizado por células neoplásicas dispostas em lóbulos de diversas células pouco organizadas que circundam espaços repletos por fluido. Já o padrão sólido-difuso é composto por grupos ou cordões septados por tecido conjuntivo delicado que se organizam de forma radial a vasos sanguíneos. Os núcleos se encontram na periferia, formando estruturas em roseta.
Nos casos em que não é possível obter o diagnóstico com a histopatologia e citologia, pode ser realizada a imunohistoquímica, na qual são utilizados marcadores tumorais, sendo que muitos destes marcadores podem indicar também o prognóstico da doença.

Resumo: Histologia do sistema digestório de aves

02/12/2020 01:17

Na sexta-feira, dia 27 de novembro, as graduandas Ana Karolina Panneitz e Paola Sônego fizeram uma apresentação ao GEHisPa sobre o tema ‘’Histologia do sistema digestório de aves’’. Segue um resumo do tema abordado. 

Atualmente o Brasil é o 3º maior produtor mundial de frangos e essa produção animal está intimamente ligada a parte nutricional desses animais, como estes vão converter o que comem em produtos de interesse econômico. Devido a isso, é importante entender a anatomia e histologia do trato digestório das aves, assim como as patologias que o acometem. 

No que se refere às diferenças em trato digestório entre as diversas espécies de aves, algumas delas podem ser observadas no divertículo esofágico. Algumas espécies com hábitos alimentares carnívoros, como as corujas e outros rapinantes, não possuem o divertículo ou possuem pouco desenvolvido. Os pombos por sua vez produzem no divertículo esofágico o leite de papo para os filhotes, sendo que para isso possuem um epitélio que sofre hipertrofia, fica mais vascularizado e com presença de células especializadas nessa produção. Com relação ao ventrículo, falconiformes, strigiformes e gaivotas possuem uma camada muscular menor comparada com as aves domésticas. E referente a vesícula biliar, pombos, papagaios, periquitos australianos e struthioniformes (emas e avestruzes) não a possuem.  

Para melhor visualização optamos por deixar apenas as fotos de microscopia nas artes e as legendas seguem abaixo:

 

Figura 1: Secção sagital da cabeça onde pode-se observar a histologia do bico, com epitélio estratificado escamoso com camada cornificada. Além disso pode-se observar a derme com presença de órgãos sensoriais (corpúsculos de Herbst). 

Figura 2: Língua, 5. Ductos das glândulas salivares; 7. Cartilagem hialina; 10. Glândulas salivares; 11. Epitélio estratificado pavimentoso. Na figura 3, papilas gustativas destacadas no quadrado. 

Figura 4: Esôfago, 1. Lúmen; 2. Epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado; 3. Lâmina própria; 4. Muscular da mucosa; 5. Submucosa; 6. Túnica muscular; 7. Túnica adventícia; 8. Glândulas do esôfago; 9. Tecido linfoide associado a mucosa. Na figura 5, maior aumento, sendo possível observar estratificação da camada epitelial (asterisco), presença de tecido linfoide (seta branca) e glândula (seta vermelha). 

Figura 6: Divertículo esofágico, com a mesma composição do esôfago e presença de muitas glândulas. Na figura 7,  observa-se, hiperplasia difusa do epitélio em ave produzindo leite de papo. E na figura 8, maior aumento mostrando, 1. Epitélio estratificado escamoso cornificado. Células secretoras de leite de papo apresentando tonalidade mais clara devido ao depósito de gordura; 2. Tecido conjuntivo; 3.Capilar; 4.Lâmina própria. 

Figura 9: Pró-ventrículo em menor aumento; 1.Lúmen; 2.Mucosa; 3.Lâmina própria; 4 e 5.Glândulas formadas por células oxintopépticas que produzem o HCL e pepsinogênio; 6.Camada muscular; 7.Plexo mioentérico; 8.Serosa. Na figura 10, maior aumento, 1.Glândulas; 2.Vaso sanguíneo; 3.Muscular da mucosa; 4.Submucosa; 5 e 6.Muscular com camadas longitudinal e transversal; 7.Tecido nervoso; 8.Serosa. Por fim, imagem da mucosa, mostrando, glândulas multilobulares formadas pelas células oxintopépticas (produtoras de HCL e pepsinogênio). 

Figura 12: Ventrículo, menor aumento. 1.Coelina; 2.Mucosa; 3.Submucosa; 4.Muscular. Na figura 13, em maior aumento. 1.Epitélio cúbico; 2.Secreção apical; 3.Células principais; 4.Células basais; 5.Camada de coelina. 

Figura 14: Intestino delgado. 1, vilosidade; 2, criptas de Lieberkuhn; 3, submucosa; 4, muscular; 5, serosa. Aves não possuem glândulas duodenais responsáveis pela neutralização do pH do conteúdo advindo do estômago. Na figura 15, em maior aumento. 1, vilosidade; 2. Criptas de Lieberkuhn; 3.Submucosa; 4 e 5.Camadas  transversal e longitudinal da muscular. No círculo está plexo de Meissner e na seta o plexo mioentérico.

Figura 16: Cloaca. 5.Corpúsculo de Herbst;  9.Epitélio colunar simples; 12.Epitélio escamoso estratificado.

Figura 17: Fígado. 1.Cápsula de Glisson; 2.Septo interlobular; 4.Veia central; 5.Cordões de hepatócitos e capilares sinusóides.  Na figura 18, maior aumento 1.Ramo da veia porta. 2.Ramo da artéria hepática; 3.Ducto biliar.

Figura 19: Vesícula biliar. 1.Adventícia; 3.Epitélio simples colunar; 4.Lúmen; 9.Mucosa; 11.Muscular.

Figura 20: Pâncreas. 1 e 2, ilhotas de Langerhans; 3.Ducto intralobular; 4.Glândulas túbulo-acinares (pâncreas exócrino). Na figura 21, maio aumento de 1.Ilhota beta; 2.Pâncreas exócrino. Pâncreas endócrino possui dois tipos de ilhotas, as alfas que produzem glucagon (células mais acidófilas e mais colunares) e betas que produzem insulina (células mais basófilas e formato mais poligonal)

Referências

ANTÃO, Vitoria de Santo. Análise histológica da porção superior do trato digestório do Gavião-Carij (Rupornis magnirostris GMELIN, 1788). Licenciatura em Ciências Biológicas, UFPe, 2016.

AZIZ-ABDUL Tahseen. Avian Histopathology. 4 ed. Copyright: Madison, 2016. 650p.

Bacha Jr W.J. & Bacha L.M. (2006). Color Atlas of Veterinary Histology, 2nd ed., Blackwell Publishing.

DYCE, Keith M.. Tratado de anatomia veterinária. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 834 p.

Histology of birds. 2012. Ghent University. Disponível em: http://www.histology-of-birds.com/home.php. Acesso em: 26 nov. 2020